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terça-feira, 22 de agosto de 2017

Uma outra maneira de ganhar dinheiro e ajudar novos negócios

Por Vitor Lima

No mercado, existem diversas opções de investimentos disponíveis. Há quem prefira destinar capital aos imóveis, ações na bolsa, títulos públicos, fundos de investimentos bancários.... Entretanto, uma nova modalidade tem angariado mais espaço no mercado brasileiro. 

O investimento anjo – como é chamada a modalidade em que pessoas físicas aportam capital em empresas recém-criadas com alto potencial de crescimento (ou apenas em startups) –, ao contrário de outras categorias, fechou o ano de 2016 com saldo positivo. 

Matsumoto, que já investiu em 17 startups, revela que os retornos do investimento anjo são grandes | Foto: Hugo Silva
De acordo com dados divulgados no último dia 28 pela Anjos do Brasil – entidade sem fins lucrativos criada para fomentar este gênero e à inovação no País – houve crescimento de 9% no valor injetado na modalidade na comparação entre 2016 e 2015. No ano passado, a categoria movimentou R$ 851 milhões em investimentos, ante R$ 784 milhões de 2015. Contudo, o número de adeptos da modalidade caiu: em 2015, existiam 7.260 “anjos” no Brasil; em 2016, este número registrou queda de 3% e fechou o ano em 7.070. 

O que é investimento anjo?

Embora o termo tenha ganhado notoriedade nos últimos anos, ainda existe uma grande parcela do mercado que ainda não entendeu o conceito do investimento anjo. Nesta modalidade, o investidor tem mais responsabilidade na comparação com outras categorias como, por exemplo, o investimento na bolsa de valores.

Nas ações, o investidor simplesmente investe o dinheiro e torce para que a corporação cresça e lhe renda bons dividendos. No investimento anjo, não. Além do capital, o investidor terá que dispor de tempo e conhecimento para que todas suas funções sejam executadas. Ele terá que “vestir a camisa” da empresa caso queira obter lucros com a transação. 

Muito mais que dinheiro

Para as startups, tão importante quanto o valor a receber, é o smart money do investidor. A expressão da língua inglesa significa “dinheiro inteligente”. Além do investimento, essas empresas, geralmente lideradas por jovens, buscam pessoas mais experientes, com trajetória mais sólida, para que indiquem caminhos melhores ou correções no projeto inicial do negócio.

O investidor anjo Thiago Matsumoto comenta: “O dinheiro no investimento anjo é um fator 50%. O resto é a parte do smart money, o conhecimento, os contatos do investidor. É por isso que chama anjo, porque ele ajuda mesmo. O conceito de anjo é ajudar a crescer não só na parte financeira”, afirma. 

Exatamente por isso, que o ideal para as startups é possuir diversos investidores anjos: além de arrecadar mais dinheiro, a empresa terá mais “conselheiros”, em mais áreas e, assim, aumentar a chance de prosperar no mercado. 

O investidor anjo atua como um “mentor”, classifica o presidente da Anjos do Brasil, Cassio Spina. “O empreendedor inteligente usa os conselhos e orientações do investidor de modo a maximizar o resultado da empresa”, conta. 

Anjos ajudam startup andreense

Em 2013, surgiu em Santo André a startup Filho sem Fila. Criada com o objetivo de organizar a retirada dos alunos de escolas por meio de um aplicativo, a plataforma está presente em mais de 40 cidades brasileiras e atua em mais de 100 escolas. 

Gmeiner idealizou o Filho Sem Fila | Foto: Arquivo
Atualmente, a plataforma se prepara para chegar ao mercado americano. As etapas mais difíceis já foram superadas (nos Estados Unidos, já existe estrutura e equipe comercial para viabilizar a chegada da startup brasileira) e o lançamento do Filho sem Fila na terra do Mickey deve ocorrer nos próximos meses. 

Mas, a internacionalização do negócio só foi possível com o auxílio dos anjos. Em junho de 2016, 15 investidores acreditaram no projeto e investiram R$ 220 mil para viabilizar o crescimento da ferramenta. “O investimento anjo não serve para pagar contas, não. O dinheiro do investimento é para crescer”, lembra Matsumoto. 

Leo Gmeiner, idealizador do Filho sem Fila, ratifica a importância do aporte para o negócio: “Nos possibilitou experimentar modelos novos de prospecção de clientes, nos possibilitou chegar a contatos que a gente ainda não tinha e trouxe algumas ideias diferentes. Isso foi muito importante”. 
Por que escolher este investimento? 

Até agora, tratamos sobre os diversos benefícios da categoria para quem recebe o investimento. Mas, do ponto de vista do investidor, qual são os benefícios? Por que optar por essa modalidade e não seguir investimentos mais tradicionais – e talvez mais seguros?

Bom, em primeiro lugar é importante discorrer sobre o perfil dos investidores anjos. Geralmente, quem busca este modelo são pessoas já possuem um portfólio de investimentos diversificado. “Quando alguém investe em startup, normalmente, investe em outras coisas, em ações, em tesouro direto”, diz Matsumoto. 

Já Spina, afirma que o “perfil típico” do investidor dessa categoria é de um empreendedor, que além de ter disponibilidade de tempo e de recursos financeiros, deseja “transferir experiência de vida”, para evitar que o novo negócio cometa erros que ele já cometeu no passado. “É claro que o investidor anjo também quer ganhar dinheiro, mas há uma busca pela satisfação de construir algo novo”, pondera.

Matsumoto, que durante a sua trajetória já investiu 17 startups também cita a proximidade com a empresa e o fato de se sentir parte dela como algo positivo, mas lembra que aproximadamente 80% das startups quebram. 

“O risco é maior do que investir na bolsa, do que investir em ações. Mas a gente investe em startup porque quanto maior o risco, maior são os ganhos”, esclarece, ao lembrar que, em média, o retorno no investimento ocorre em torno de quatro ou cinco anos. 

Legislação sobre o assunto

No ano passado, foi sancionada a Lei Complementar 155/2016, que regulamenta o investimento anjo. Batizada de “Crescer sem medo”, a matéria garante que o investidor desta modalidade não pode ser responsabilizado por possíveis processos trabalhistas, fiscais, ou de qualquer outra área, que a startup possa ter. “Hoje nós estamos protegidos por lei”, comemora Matsumoto. 
Spina é o presidente da Anjos do Brasil | Foto: Divulgação
Porém, o presidente da Anjos do Brasil ainda não está satisfeito. Spina, apega-se à exemplos estrangeiros e afirma que é importante que existam políticas públicas para alavancar o modelo no Brasil.

“Faz-se necessário que se promovam políticas de estímulo para os investidores, como já praticadas nos Estados Unidos e em vários países europeus, pois as startups dependem não só de capital financeiro, mas também do intelectual que os investidores anjo aportam, acelerando seu crescimento e aumentando suas chances de sucesso”, defende.



sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Startups do ABC são impulsionadas por investidores-anjos

Por Vitor Lima 

Fortalecer o ecossistema empreendedor do ABC baseado no conceito de startup é a missão de Benício José Filho, 40, à frente do Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul (ITESCS). Ele é presidente da entidade, desde janeiro de 2016 e termina o primeiro ano de sua gestão satisfeito com os resultados obtidos. 

As muitas reuniões, seminários e parcerias fazem parte da rotina do presidente e são fundamentais para fortalecer o ecossistema regional. Por meio delas, é que José Filho tenta articular um ambiente mais favorável a negócios e ampliar as perspectivas dos empresários. 

Um dos resultados mais expressivos dessas articulações foi a criação do núcleo regional dos Anjos do Brasil no ABC, em junho. Encabeçada pelo próprio José Filho, o núcleo busca disseminar os conceitos de investimentos anjo na região e impulsionar negócios que possuam alto potencial de crescimento. 

José Filho está à frente do núcleo Anjos do Brasil | Foto: Divulgação
O investimento-anjo incentiva as pessoas a ajudarem novos empreendedores, ao invés de buscar investimentos mais tradicionais, como em bancos, por exemplo. O investimento-anjo é feito de forma compartilhada, por várias pessoas físicas, que além do capital compartilham experiências do mundo dos negócios para aumentar as chances do empreendimento dar certo. 

Logo na primeira reunião do núcleo, em 16 de junho, a startup Filhos sem fila, de Santo André, recebeu um aporte de R$ 250 mil de empresários do ABC. “Além do capital, a startup ganhou a possibilidade de ser acelerada no Canadá. O que é interessante é que empresários da região começaram a investir dinheiro em projetos da região. E assim inicia-se um novo ciclo”, comenta o presidente. Além deste case, os primeiros meses do núcleo registra outros 30 projetos analisados (alguns foram para aceleradoras, outras para mentoria e a startup Vegpet, de São Bernardo do Campo, também recebeu investimento).

Outro ponto alto do ano do ITESCS foi o fortalecimento do diálogo com as universidades locais. Houve uma agenda repleta de palestras, seminários e painéis, que buscaram fomentar o empreendedorismo no meio acadêmico. 

José Filho nota que os acadêmicos começa a dar atenção ao empreendedorismo: “A gente que não está no cotidiano das universidades acha que elas não estão preocupadas com o empreendedorismo. Mas há uma preocupação latente em todas elas. E elas estão sendo muito provocadas por essa questão do empreendedorismo e da inovação”, aponta. 

A relação com as universidades, aliás, é uma grande preocupação de José Filho. O presidente acredita que é por elas que os jovens devem ser impactados e direcionados ao mundo do empreendedorismo, especialmente ao empreendedorismo com inovações tecnológicas.  

O fortalecimento das relações com as universidades deve gerar mais um fruto concreto no primeiro trimestre de 2017. Trata-se da parceria consolidada para a criação do Parque Tecnológico da Universidade Metodista, em São Bernardo do Campo. O presidente esclarece que existe um grupo de estudos que está trabalhando para viabilizar o projeto e que no início do ano serão convidadas fintechs (negócios inovadores com alto potencial de crescimento para serviços financeiros) e startups do setor industrial para participar do parque. 

“É importante esclarecer que o ITESCS não atua só em São Caetano. Onde existir ações de fomento ao empreendedorismo e a inovação, nós podemos participar”, ressalta. 

Ainda para 2017, um dos planos de José Filho é estreitar as relações com outras entidades que incentivam o empreendedorismo no ABC, a fim de criar uma agenda comum para todas elas escolherem resultados mais densos. “Nós queremos articular ações conjuntas”, enfatiza. Foram citadas as universidades, a Agência de Desenvolvimento Econômico Grande ABC, o Sebrae e a Rede Global de Empreendedorismo, que, na visão do presidente, podem trabalhar juntas. 

Além dos “braços” independentes, José Filho também defende o envolvimento do poder público nas questões relacionadas ao empreendedorismo e revela que o instituto tem boas relações e projetos com as secretarias de desenvolvimento econômico das prefeituras da região. 

Ao ser questionado se as mudanças de governos que ocorreram em 1° de janeiro podem prejudicar os planos da entidade, o presidente da entidade parece não se preocupar. “Nós esperamos que essa relação não mude. A gente acredita que temos caminhos abertos, até porque trabalhamos com diretrizes multipartidárias”, explica. 

Durante a conversa com o Negócios em Movimento, o empreendedor também defendeu que a região deve discutir novas perspectivas para o desenvolvimento econômico. Ele reconhece que, como o ABC é conhecido como o berço da indústria, o conceito de desenvolvimento baseado nela está enraizado há décadas e que mudar este panorama será difícil. Contudo, o presidente defende que o modelo de larga produção não se sustenta mais e que é importante buscar novos modelos, baseados em soluções tecnológicas. 

“Eu brinco e comparo as startups com uma tsunami. Alguns mercados já caíram com essa onda. As startups vêm numa velocidade muito grande e no ABC esse movimento vai ganhar muito corpo. Eu me declaro muito satisfeito com esse ano e acho que 2017 será fantástico nesse sentido”, conclui José Filho.


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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Anjos do Brasil apresenta caminhos para definição de investimento no ABC

Da Redação 

Amanhã (29), às 19h, a Anjos do Brasil, em parceria com o Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul (ITESCS) e apoio da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, promoverá atividade gratuita para apresentar a empreendedores da região o que é investimento Anjo, como funciona e quais os caminhos para definir tese de investimento, além de exposição de case de sucesso relacionado ao tema. O evento será realizado no auditório do Consórcio Intermunicipal Grande ABC (Avenida Ramiro Colleoni, 5, Centro de Santo André). 

Os interessados em participar da atividade devem se inscrever pelo portal do Instituto www.itescs.com.br, na seção “agenda”. As informações serão apresentadas pelo líder regional do Núcleo ABC Anjos do Brasil, o presidente do ITESCS Benício José, mentor da instituição que tem em seu portfólio mais de 15 startups em atividade. 

“Investimento Anjo” é o tipo de investimento feito por pessoas físicas com capital próprio em startups, empresas com alto potencial de crescimento. Esse investidor aplica dinheiro e compartilha experiências com empreendedores, contribuindo para aumentar as chances de sucesso do negócio. 

Desde junho deste ano, o ITESCS é parceiro da Anjos do Brasil no ABC, credenciada a atuar como polo investidor da Anjos. A Anjos do Brasil, por sua vez, é uma organização sem fins lucrativos de fomento ao investimento “Anjo” e empreendedorismo de inovação, proporcionando a integração entre empreendedores e investidores comprometidos com financiamento de alto risco.



terça-feira, 14 de junho de 2016

Anjos do Brasil lançam núcleo no ABC nesta quinta

Da Redação

A Anjos do Brasil - entidade de fomento ao investimento-anjo que apoia o empreendedorismo de inovação - inaugurará nesta quinta-feira (16) o primeiro núcleo regional de atividades no ABC. O objetivo é trazer novos investidores para o ecossistema das startups e colaborar para o desenvolvimento do maior número de projetos inovadores na região metropolitana de São Paulo.

O Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul (ITESCS) será o parceiro da Anjos do Brasil neste desafio, e criará ações para aproximar o investidor-anjo das startups que possuem ideias e necessitam de apoio para crescer. 
Kepler, líder regional da Anjos do Brasil, afirma que os empresários estão percebendo a importância de investir em inovação | Foto: divulgação
O evento de lançamento será no Hotel Mercure, na Rua Alegre, 440, em São Caetano do Sul. Na ocasião, duas startups se apresentarão, sendo o Filho Sem Fila e a Vegpet. Cada uma terá dez minutos (4’ para apresentação e 6’ para perguntas); ambas serão avaliadas e poderão receber investimentos. 

Para o Presidente do ITESCS, Benicio José de Oliveira Filho, a oportunidade de receber a chancela da Anjos do Brasil é o reconhecimento do trabalho que a entidade tem realizado ao longo dos nove anos de atuação. "O grande objetivo do nosso instituto é transformar o ABC em um polo tecnológico e tornar-se uma grande referência nacional. Temos potencial para isso, com um capital humano extremamente rico. Nortearemos esses dois pilares que fazem o empreendedorismo de inovação funcionar", afirma Benicio.

O líder regional da Anjos do Brasil, João Kepler, ressalta que ser um polo de tecnologia é importante para atrair projetos e também viabilizar negócios. "O Brasil está evoluindo muito rápido, os empreendedores tem hoje muito mais informação que há cinco anos, e os empresários percebem a importância de entender os modelos disruptivos de negócio e investir em inovação", aponta.

A Anjos do Brasil coordena atividades, encontros e reuniões dos membros para indicar qual o melhor projeto para se investir. Para tanto, é feito uma capacitação que auxilia os investidores a adquirirem conhecimentos de como avaliar oportunidades, negociar e investir em startups. Além disso, também poderá atuar em uma avaliação conjunta de oportunidades, troca de experiências e apoio mútuo. 

Todos essas etapas serão desenvolvidas na sede do ITESCS, que fica nas dependências da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (campus Centro).