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segunda-feira, 3 de abril de 2017

Especialista em café abre negócio no ABC

Por Vitor Lima 

“Para mim o café não é só um produto. É a minha paixão”. É assim que Agostinho Douglas Andrade Ramos, 32 anos, refere-se à iguaria, uma das maiores paixões dos brasileiros. Ele é o proprietário do Cereja do Café, negócio inaugurado em dezembro, em Santo André. O local destaca-se por ser a primeira cafeteria do ABC a fazer a torrefação do produto no próprio estabelecimento. 

Apaixonado por café, Ramos abriu o negócio após diversos estudos
sobre a bebida | Foto: Hugo Silva 
Ramos - que possui formação como barista, é mestre em torra e especialista em degustação e classificação de grãos - pensava na criação do negócio há dois anos. Neste ínterim, ele definiu o modelo de negócio e estudou mais, é claro, sobre café. Mesmo assim, o barista mostra-se humilde quanto ao assunto: “Costumo dizer que ainda sou um peixinho no mar, porque o café tem muitas informações”, diz. 


Além de servir a bebida, o local também funciona como uma loja especializada na comercialização de grãos, café em pó e utensílios para todas as formas de preparo.  De acordo com o barista, o principal objetivo da Cereja do Café é oferecer aos clientes o “verdadeiro sabor do café”. “Eu acho um absurdo o que algumas cafeterias daqui do ABC fazem com o público. Eles ainda têm a capacidade de falar que o pessoal daqui não tem paladar. Isso é um absurdo. Não é que eles não têm paladar, é que eles não têm escolha”, critica.

Torrefação, moagem e degustação

O mais importante no Cereja do Café, de acordo com o proprietário, é a qualidade do produto. O estabelecimento trabalha apenas com grãos oriundos de regiões tradicionais no cultivo do fruto, como o sul e o cerrado de Minas Gerais. Ao contrário dos cafés vendidos nos mercados convencionais, que são extraídas da planta tipo Conilon, Ramos só utiliza grãos 100% arábica. 

Torrefação e moagem do café são feitos no próprio local | Foto: Hugo Silva
Antes da xícara de café satisfazer os clientes, existe um processo artesanal comandado pelo barista. Após os grãos chegarem ao local, o proprietário concentra-se no processo de torrefação, que é importantíssimo para o aroma e sabor da bebida. Nele, os grãos são expostos a altas temperaturas entre 15 e 20 minutos (o tempo exato depende de uma série de fatores: do tipo do grão, da altitude em que ele é colhido e do clima, por exemplo). Após isso, o café deve descansar entre oito e 12 dias para, depois, passar pela moagem. “Eu prefiro não fazer toda a moagem de uma vez para deixar (o pó) embalado. Porque após 45 dias do café moído, ele começa a perder sabor e aroma”, explica o barista.

Depois da moagem, chega o último momento do preparo do café antes da degustação. No Cereja do Café essa etapa pode ser feita de diversas formas: da maneira mais tradicional (coado), na prensa francesa ou na cafeteria italiana. “Como eu sou barista, tenho que saber toda a história do café e todos os modos de preparo”, conclui. 

O Cereja do Café fica na Rua das Hortências, 1117, Vila Linda, em Santo André, e funciona de segunda a sexta-feira das 7h30 às 18h30 e aos sábados das 9h às 18h. Tel.: 2786-3419. Site: www.cerejadocafe.com.br.



terça-feira, 29 de março de 2016

Conheça as tendências mais apreciadas pelos coffee lovers

Por Liana Baggio Ometto, fundadora da Baggio Café

Vivemos na era da velocidade, no século conhecido como "quanto mais rápido, melhor". Em um piscar de olhos, a novidade já está obsoleta e outra experiência mais agradável e tecnológica assumiu seu lugar. Submersos no trânsito diário, na superficialidade dos fast foods e nas poucas horas de sono, não é raro ouvirmos reclamações sobre a falta de tempo. 

É comum não paramos para apreciar uma bela paisagem, para ouvir uma música que gostamos ou, nem mesmo, para sentir o prazer de uma boa refeição. Diante de todo esse caos moderno, uma tendência tem ganhado cada vez mais adeptos, a de diminuir o ritmo, atrasar os ponteiros do relógio e, sem medo e sem pressa, aproveitar uma boa xícara de café. 

Foto: divulgação
Esse movimento, também chamado de slow coffee, está conquistando seu espaço no Brasil. Conforto, diversidade e baristas qualificados, entraram na lista de exigências dos frequentadores de cafeterias, que desejam apreciar um café sem pressa e com excelência. Mais do que um cafezinho, os chamados coffee lovers desejam o aconchego e o prazer de uma pausa recheada de qualidade e sabor na correria do dia a dia. 

Aconchego é também a palavra chave de uma tendência conhecida como comfort food, que tem como essência apresentar uma culinária baseada na simplicidade das coisas, recheada por aromas e sabores que marcaram nossa infância ou uma situação agradável pela qual passamos.

Contudo, apesar de parecer novidade, a origem desses conceitos vieram lá da década de 80. Ambos foram motivados pela busca por uma alimentação mais saudável e sustentável em contraponto ao fast e junk food. Enquanto o slow coffee visa o aumento do prazer proporcionado pela bebida, o comfort food representa o resgate do prazer de consumir uma comida saborosa, preparada com ingredientes saudáveis, de maneira simples, mas com grande valor sentimental. 

Mesmo sendo muito conhecidas no exterior, os brasileiros começaram a valorizar e apreciar essas tendências recentemente. Um bom exemplo é o crescimento do número de cafeterias gourmet abertas no País. Segundo uma projeção realizada pela consultoria Mintel, o número de lojas do ramo no Brasil deve aumentar 70% até 2018. 

Não imagino combinação mais perfeita do que um café de qualidade, passado na hora, no coador, acompanhado por um delicioso bolo caseiro. Agora, se você ainda não se deu ao luxo de apreciar um cafezinho com calma, com uma comida que lhe traga boas lembranças, meu conselho é: não perca mais tempo! Permita-se viver essa experiência e ter um momento memorável agora mesmo. Tenho certeza que você não vai se arrepender.



terça-feira, 15 de março de 2016

O agronegócio brasileiro na contramão da economia

Por André Lobo Faro, diretor nacional de Vendas e Serviços da Husqvarna, líder global no fornecimento de equipamentos para o manejo de áreas verdes.

Ao longo dos últimos meses, diferentes setores foram impactados pelos efeitos da recessão econômica que o país atravessa. No entanto, quando falamos do agronegócio, o cenário é um pouco diferente: o segmento ainda pode ser destacado como um dos que mais crescem e que oferecem oportunidades de negócios.

Para se ter uma ideia de sua importância para a nossa economia, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a safra brasileira de grãos atingiu, em 2015, o recorde de 209,5 milhões de toneladas, número 7,7% superior ao do ano de 2014. Para 2016, a expectativa é de que o país colha 210,7 milhões de toneladas, o que corresponde a um crescimento de 0,6%.

André Faro destaca que o segmento é um dos que mais crescem no País | Foto: divulgação
Parte dessa projeção positiva pode ser creditada às condições climáticas favoráveis. Pois, se em 2015 uma das grandes preocupações era o clima, as previsões para este ano mostram que os volumes de chuvas devem ficar mais próximos da normalidade, o que favorecerá as safras de verão, responsáveis por 70% do volume total produzido no país.

Entre os exemplos de produções que serão beneficiadas com a melhora no clima, estão a soja e o café. Para 2016, a expectativa é de que a soja ultrapasse pela primeira vez a barreira dos 100 milhões de toneladas colhidas e cresça 5,9% em comparação ao último ano. Já o principal café produzido no país, o arábica, deve alcançar os 2,3 milhões de toneladas, atingindo um crescimento de 15,7% em relação a 2015.

Todas essas perspectivas positivas impactam diretamente em mercados como o de maquinários agrícolas. Pois, a partir do momento em que a produção está em alta, o produtor investe em tecnologias capazes de garantir o aumento da produtividade, o aprimoramento dos processos e a segurança no trabalho.

Por conta disso, hoje, as pessoas estão preocupadas não somente com os grandes maquinários, mas estão atentas também às tecnologias menores, com custos mais acessíveis, que são de fácil manuseio e exigem menos esforço físico na operação. Um exemplo disso é o Kit Café desenvolvido pela Husqvarna, composto por derriçadora (também conhecida por "mãozinha"), motosserra, atomizador, pulverizador costal, podador de cerca-viva e soprador. A linha de equipamentos auxilia em todas as etapas do processo produtivo e proporciona uma redução de custos de até 50%.

As soluções de pequeno porte também estão disponíveis para os produtores de grãos. Para essa atividade, as indústrias de maquinários apostam na venda de motosserras, utilizadas na confecção de lenha para os fornos de secagem, e os sopradores, indicados para a limpeza de resíduos sem o uso de água em caminhões graneleiros, após descarregamento, e para a higienização interna e externa de máquinas agrícolas, como colheitadeiras e tratores.

Diante das previsões para 2016, podemos dizer que o produtor rural inicia o ano de forma bem otimista. Isso é extremamente importante para o país, pois, com o produtor mais confiante, diversos setores da economia crescem também, como os mercados de insumos e equipamentos. Todos esses fatores resultam no aumento de oportunidades de negócios, crescimento de postos de trabalho e, acima de tudo, no fortalecimento do agronegócio brasileiro. Mais uma vez, o agronegócio nos mostra que é uma das grandes potências do Brasil.