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quinta-feira, 30 de março de 2017

Startup Quinto Andar chega ao ABC e revoluciona locação de imóveis

 Por Vitor Lima

Os especialistas em empreendedorismo costumar ser unânimes quando questionados sobre como “ter uma boa ideia de negócio”: o primeiro passo, eles dizem, é diagnosticar algum problema para, depois, pensar na solução deste problema. Pois bem. Quando Gabriel Braga e André Penha estudavam na Universidade Stanford, na Califórnia, os dois diagnosticaram que a operação de alugar um apartamento era muito problemática, tanto para os inquilinos quanto para os proprietários. 

Isto porque os dois já haviam tido experiências frustrantes com esse tipo de situação. Antes de se mudar para Califórnia, Braga estava em São Paulo e buscava um imóvel para alugar. A busca durou vários dias e foi cheia de complicações: as informações online não eram suficientes e ele não tinha um fiador na cidade. 

Penha (direita) frustrou-se quando colocou seu imóvel no mercado e Braga ao tentar alugar um; juntos, eles
tentam reinventar o mercado imobiliário brasileiro | Foto: Divulgação 

Na outra ponta da operação, foi Penha que penou. Ele anunciou o apartamento que possuía, em Campinas, em uma imobiliária por vários meses e não conseguiu fechar negócio. Incomodado, ele tomou a frente do processo e em duas semanas resolveu a questão, por conta própria. 

Após a constatação de que aí havia um problema, os dois estudantes passaram a estudar a fundo o setor imobiliário brasileiro, por meio de trabalhos acadêmicos. As discussões evoluíram e as ideias apareceram. Estávamos em 2012. As soluções propostas pelos dois estudantes eram vistas com bons olhos, por amigos, familiares, especialistas e investidores. Depois de mais alguns estudos, ajustes e mais ajustes, em 2013 surgia o Quinto Andar, em Campinas. 

O diretor de Marketing do negócio, Zachary Fox, sintetiza a missão da plataforma: “O Quinto Andar existe para transformar o aluguel em algo fácil e gostoso, tanto para inquilinos quanto para proprietários”. Mas, para isso de fato ocorrer, os desafios não são poucos. 

Zachary Fox, diretor de Marketing do Quinto Andar, afirma que o negócio
 “já está revolucionando o mercado” | Foto: Divulgação 
A avaliação da equipe é que existiam dois problemas centrais nessa história: para o inquilino em busca de um imóvel, a maior dificuldade é encontrar alguém disposto a ser fiador neste processo. Por outro lado, o grande problema para proprietário são os atrasos nos pagamentos dos aluguéis. 

Pensando nisto, a equipe do Quinto Andar simplesmente eliminou a figura do fiador – o responsável pelo seguro-fiança é a própria plataforma. E caso o inquilino não pague o aluguel dentro do prazo estipulado, não há problema para o proprietário, que receberá o valor normalmente, graças ao pagamento do Quinto Andar. 

De acordo com Fox, na maioria dos casos o imóvel é alugado com muito mais rapidez na plataforma, quando comparado ao tempo médio para fechar negócio das imobiliárias. “O Quinto Andar está já revolucionando o mercado. Percorremos um caminho super significativo até agora e continuaremos investindo em inovações”, ressalta. 

Como é alugar um apartamento pelo Quinto Andar?

“O Quinto Andar sabe que é necessário resolver o aluguel do começo ao fim. Também sabemos que a tecnologia facilita tudo e, por isso, criamos aplicativos para inquilinos e proprietários lidar com o processo todo pelo smartphone. Este processo online é super eficiente para os dois lados e oferece total conveniência, controle e transparência do que está acontecendo”. Essas são as palavras de Fox sobre a operação de alugar um apartamento pela plataforma. 

Os inquilinos devem acessar o aplicativo ou o portal da startup e indicar o bairro ou cidade em que têm interesse. Os apartamentos disponíveis aparecem com as informações essenciais (valor do aluguel e do condomínio, metragem, número de vagas, de dormitórios e endereço) e com diversas fotos que foram tiradas por fotógrafos profissionais que prestam serviços para o Quinto Andar. Caso o possível inquilino se interesse, ele agenda uma visita pela ferramenta e no dia e hora marcada um corretor da ferramenta estará lá para atendê-lo. 

Após essa etapa, toda a negociação entre proprietário e inquilino é feita online e caso o negócio seja fechado não há necessidade de assinar papéis e mais papéis no cartório. “Acabamos com aquele vai e vem de papel que durava semanas. Os documentos são assinados eletronicamente por inquilinos e donos de imóveis de forma remota.  A assinatura tem o mesmo valor legal do papel”, garante o diretor.

O processo para garantir se a assinatura é de fato realizada por quem se diz assinante é feito pela própria plataforma, que usa quatro níveis de autenticação e mantém um acervo probatório de ambas as partes. Fox frisa que o “serviço está em conformidade com as leis federais”. 

Campinas, capital e agora também no ABC

Os sócios enxergam o ABC como uma região
estratégica para o negócio | Foto: Divulgação 
Inicialmente presente apenas em Campinas, o Quinto Andar logo expandiu a atuação para a capital. E, desde o fim do ano passado, a ferramenta atende também o ABC. Na visão da empresa, a região é “estratégica” e os planos são de aumentar a presença da plataforma na área. “Estamos estudando a região, junto com os nossos corretores presentes na área para entendermos melhor como podemos servir os clientes do ABC. Neste ano, o ABC verá muito mais o Quinto Andar”, projeta o diretor. A startup também está presente em Barueri, Guarulhos e Osasco.

Ferramenta já recebeu dois aportes milionários 

Durante 2016, a startup recebeu dois aportes milionários. O primeiro, feito em fevereiro, foi liderado pela Kaszek Ventures, tradicional fundo de Venture Capital que atua na América Latina. Este aporte foi de US$ 7 milhões. O segundo investimento foi recebido em dezembro e o valor foi de US$ 12,6 milhões, oriundos de investidores do Acacia Partners, de Nova York, e seguida pela Qualcomm Ventures, braço de investimento da Qualcomm. No total, foram mais de R$ 70 milhões investidos na ferramenta. 

A empresa não divulga valores referentes ao lucro, mas ele é baseado em dois itens: da taxa de locação (eles ficam com o aluguel do primeiro mês) e a taxa administrativa, que representa 8% do valor mensal da soma de aluguel e condomínio. 

Os fundadores, Braga e Penha, hoje são CEO e CTO da empresa, respectivamente e contam com o apoio de 170 funcionários que trabalham para manter vivo o sonho de reinventar o mercado imobiliário brasileiro. Ao longo de 2016, o Quinto Andar registrou crescimento de 25% ao mês. “Temos uma operação muito mais enxuta, baseada na reinvenção de cada etapa do processo de locação com o uso de tecnologia. Preferimos investir em coisas que geram benefícios concretos aos clientes ao invés de gastar com lojas físicas caras”, conclui Fox.



sexta-feira, 3 de março de 2017

Setor imobiliário projeta recuperação

Por Vitor Lima

A Associação dos Construtores, Imobiliárias e Administradoras do Grande ABC (ACIGABC) divulgou, em fevereiro, a Pesquisa Imobiliária Anual de 2016 do Grande ABCDM. O estudo confirmou a percepção dos empresários de que a construção civil e o mercado imobiliário foram afetados pelo mau momento econômico do País. 

No ABC, foram 2.962 unidades vendidas em 2016, queda de 40% na comparação com 2015, quando foram vendidas 4.939 unidades. O número de lançamentos seguiu a mesma toada e registrou retração de 44,5% frente a 2015 (2.242 contra 4.042). Outro índice a registrar queda, pela quarta vez consecutiva, foi do nível de estoque: em 31 de dezembro passado, a região tinha 1.472 unidades em estoque (em 2015 o índice registrava 1.849 unidades).

Santáguita aposta no início da recuperação neste ano e em uma “retomada expressiva” em 2018 | Foto: Divulgação

O presidente da entidade, Marcus Vinicius Pereira Santáguita, concorda que a crise política e econômica pelo qual o País passou afetou os resultados do setor, porém demonstra entusiasmo ao projetar o futuro. “Nós acreditamos que o mercado volte a crescer gradativamente em 2017 e que em 2018 terá uma retomada expressiva”, prevê.

De acordo com ele, a região ainda registra um grande déficit habitacional, fator que será importante para alavancar o setor novamente. “O baixo número de lançamentos e vendas nos últimos anos e, por conta da baixa expressiva nos estoques, acreditamos que  temos uma grande demanda ‘represada’ o que irá aquecer e movimentar o mercado nos próximos anos”.

Na opinião do especialista, o início das baixas na taxa básica da economia (taxa Selic) auxiliará também a área, pois isso acarretará em crédito mais barato. “Um dos pilares fundamentais de sustentação do mercado imobiliário é a oferta de crédito e o fácil acesso ao mesmo por parte das famílias. Toda vez que ocorre redução de juros mais pessoas passam a ter acesso ao crédito, uma vez que as parcelas caem e passam a caber no orçamento. Devido a esses fatores, existe uma forte tendência de os preços dos imóveis aumentarem já no segundo semestre de 2017”, analisa. 

Além disso, a proximidade do ABC com a capital favorece a região na avaliação de Santáguita. Ele comenta que a infraestrutura encontrada no ABC é muito parecida com a da capital, com a vantagem de os imóveis daqui custarem cerca de 30% a menos. 

MBigucci entrega maior obra de sua história

A MBigucci inaugurou, no último dia 21, uma obra que pode representar este novo momento do setor. Trata-se da maior obra da história da construtora, o complexo batizado como Marco Zero MBigucci, localizado na esquina das Avenidas Kennedy e Senador Vergueiro, em São Bernardo do Campo. 

São quatro torres: duas residenciais (entregues em 2016, com 272 unidades de 2 e 3 dormitórios) e duas torres mistas de lofts, duplex, salas comerciais e um boulevard (uma entregue no dia 21, com 423 unidades e outra ainda em construção, com 259 unidades). No total, são 89.085 metros quadrados (m²) de área construída e 954 unidades no complexo. Foram mais de 6,5 mil pessoas envolvidas na cadeia produtiva da obra (fornecedores, prestadores de serviço, instituições financeiras, cartórios, órgãos públicos, entre outros) e 2,3 mil empregos diretos gerados pela construção do complexo. A torre mais alta possui 23 andares e 82 metros de altura. 

Complexo Marco Zero MBigucci, no coração de São Bernardo do Campo, é a maior obra da história da construtora | Foto: Divulgação 

De acordo com o presidente da MBigucci, Milton Bigucci, o empreendimento trará muitos ganhos para o ABC. “É um marco não só para a MBigucci, mas também para nossa cidade e região, pois aqui, em um futuro próximo, se instalarão muitos consultórios e escritórios de diversos segmentos que movimentará a economia local”, explica. 

O presidente também destaca os ganhos em mobilidade para os frequentadores da área, pois dois dos prédios terão o térreo livre para a circulação de pessoas, o que possibilitará a ligação entre as avenidas Kennedy e Vergueiro por dentro do empreendimento. “As pessoas poderão usufruir também dos jardins, mini praças, galeria de arte, boulevard e restaurantes que estarão ali instalados. Enfim, o Marco Zero MBigucci é um empreendimento voltado para um público moderno, inteligente e para uma região que merece esta obra prima”, completa. 

A escolha do nome do complexo não foi por acaso: o local onde está instalado o empreendimento tem um significado histórico para a cidade. Foi naquela área que, há 300 anos, em 1717, teve início o Marco Zero de São Bernardo do Campo. De acordo com os registros oficiais, o primeiro núcleo populacional do município foi a fazenda dos Monges Beneditinos, que ficava no exato local, no qual foram construídas as quatro torres. Ficava ali também a capela São Bernardo, que abrigou a primeira imagem do santo que dá nome à cidade. 

Feirão de imóveis deve gerar R$ 80 mi em negócios

Em 18 e 19 de março, a ACIGABC promoverá o 1° Salão do Imóvel do Grande ABC. O evento ocorrerá no estacionamento do Hipermercado Extra Anchieta, em São Bernardo do Campo (Avenida Corredor Abd, s/n°), e reunirá 20 construtoras da região que oferecerão descontos e taxas especiais. 
Serão ofertados cerca de 2 mil imóveis novos ou em construção (dos quais cerca de 500 desses se enquadram na faixa 3 do programa Minha Casa Minha Vida) avaliados em até R$ 300 mil e destinados a compradores com renda de até R$ 9 mil. 

O presidente da entidade acredita que cerca de 20 mil pessoas visitem o salão e estima a geração de R$ 80 milhões em negócios. Entre as promoções previstas pelas construtoras, estão descontos de até R$ 50 mil. 

Além dos stands das construtoras, a estrutura do evento reunirá parceiros como concessionárias de veículos e empresas de móveis planejados, bem como praça de alimentação, lounge e espaço kids.