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segunda-feira, 13 de março de 2017

Feira do Empreendedor bate recorde de visitantes

Por Vitor Lima

A Feira do Empreendedor 2017 registrou recorde de participantes. Durante os quatro dias do evento, entre 18 e 21 de fevereiro, mais de 140 mil pessoas passaram pelo pavilhão do Anhembi, em São Paulo, e visitaram os 40 mil metros do local. Ao todo, o evento reuniu 424 expositores, lojas modelos, instituições de crédito, além de programação com palestras. 

Entre os visitantes da feira, mais da metade (50,8%) tem intenção de abrir uma empresa nos próximos 24 meses, enquanto 20,7% já possuem uma empresa formalizada. Em relação à motivação da visita, 57,1% das pessoas estavam interessadas em participar dos cursos, palestras e seminários oferecidos; 34% queriam pesquisar sobre equipamentos, fornecedores e serviços; e 8,8% buscavam ideias para abrir uma nova empresa.

Mais de 140 mil pessoas visitaram a feira | Foto: Divulgação
Novamente, expositores do ABC marcaram presença no evento. Pelo segundo ano consecutivo o aplicativo (app) ClickMec usou a feira para divulgar a ferramenta. Desenvolvido pela Qualisig, de São Caetano do Sul, o app busca levar a comodidade aos usuários automobilísticos, ao aproximar os motoristas de oficinas credenciadas pela plataforma. O diretor do grupo, Mario Sérgio Guedes, ressalta a boa organização e a boa presença de público. “O evento foi mais uma vez muito bom, bem organizado. Nosso objetivo foi divulgar o app e captar interessados na representação comercial”.

Pelo segundo ano consecutivo, Click Mec
participou do evento | Foto: Divulgação
Lançado em janeiro de 2016, a ferramenta conta com 300 oficinas cadastradas e 5 mil usuários. O diretor revela que o ano passado foi importante para prospectar novas oportunidades de negócios, além de receber feedback dos usuários para melhorar o app. “Para este ano as perspectivas estão bem melhores e temos um plano ousado de crescimento”, revela. Guedes voltou ao ABC com negociações avançadas com 10 representantes comerciais para atuarem na região metropolitana de São Paulo.

Outro a elogiar a feira do Empreendedor foi o gestor e diretor da Agência Chairô, Rodolfo Lazaro. A agência, sediada em Santo André, também participou da edição de 2016. Neste ano, porém, a Chairô ocupou um stand maior e levou o dobro da equipe para o evento. “A Feira do Empreendedor é um campo fértil para qualquer empreendedor, seja para os visitantes ou expositores. Principalmente como expositor, se você apresenta um produto, ou serviço no nosso caso, de qualidade com um grande diferencial o retorno é garantido”, avalia.

Satisfeito com a exposição da marca, o diretor afirma que a participação da agência no evento “vai virar tradição”.  Ao comparar a edição deste ano com a de 2016, Lazaro acredita que os contatos firmados neste ano possuem mais qualidade e potencial para gerar novos negócios. “Acredito que os frutos da feira, além dos negócios fechados durante o evento, serão colhidos também ao decorrer do ano. Grandes empresas participam da feira e nem todo negócio é fechado apenas nas datas que ela acontece”, comenta.

Equipe da Chairô durante a Feira do Empreendedor; participação da Agência
 no evento deve "virar tradição" | Foto: Divulgação 
O presidente do Sebrae-SP, Paulo Skaf, também se mostrou satisfeito com os resultados da iniciativa. Skaf valorizou o número de visitantes e o auxílio que o evento fornece aos empresários.  “O movimento gerado na feira reforça nossa crença que 2017 é o ano da retomada da nossa economia. Foram 140 mil visitantes, quase 500 oportunidades de negócios e 44 horas dedicadas à orientação, capacitação e inovação. Mais importante que esses números, foi a certeza de que fizemos a diferença para os que estavam pensando em montar uma empresa e para os empresários que buscavam saídas da crise e formas para crescer”, afirma.



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Especialistas creem no início da recuperação econômica

Por Vitor Lima

As perspectivas para a economia brasileira parecem apontar, enfim, para uma melhora. Pelo menos é essa a expectativa do mercado para o ano que se inicia, após um triênio trágico, em que a palavra “crise” esteve muito disputada para ser usada ao lado de “política” ou “econômica”. A “crise política” tornava a “crise econômica” maior e vice-versa. Este cenário nebuloso que foi a grande pauta, desde as últimas eleições presidenciais, em 2014, levou o País a uma forte recessão, que elevou os índices de desemprego e põe em risco os ganhos sociais adquiridos nos quatro mandatos petistas à frente do governo federal. 

Skaf aposta no início da recuperação econômica | Foto: Ayrton Vignola
Em 2014, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador que mede a inflação oficial do País, fechou o ano abaixo do teto estabelecido (6,5%) pelo Banco Central, em 6,41%. Porém, em 2015, no auge da recessão, o índice terminou o ano acima dos dois


dígitos, em 10,67%, cerca de quatro pontos acima do teto. No ano passado, a inflação continuou a assustar os brasileiros, mas fechou o período abaixo do teto, em 6,29%.

Contudo, o que mais assusta os brasileiros é, sem dúvidas, o desemprego. A taxa de desempregados segue crescendo e fechou 2016 em 11,2%, o que representa quase 12 milhões de brasileiros, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – em 2014 a taxa ficou em 6,8%, em 2015 em 8,5%. 

Mas, após a mudança do ano, a constatação do mercado é a recessão perdeu força e, em 2017, deverá ocorrer o início da recuperação econômica do País. O último relatório do Banco Central que mede a expectativa do mercado semanalmente, conhecido como boletim Focus, divulgado no último dia 23, aponta que o IPCA 2017 deve fechar o ano em 4,71%, abaixo do teto e quase ao centro da meta (4,5%). 

Atento aos movimentos do mercado, o presidente da Associação Comercial e Industrial de Santo André (Acisa), Everson Robles Dotto, revela boa expectativa para o ano. “Estou otimista. Já percebo que o telefone está tocando um pouco mais e conversei com outras pessoas que falaram a mesma coisa”, conta. 

Dietze, assessor econômico da FecomercioSP, crê numa recuperação, mesmo que seja tímida | Foto: Divulgação 
O assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), Guilherme Dietze, está do lado daqueles que creem em uma melhora, mas pondera que ela será tímida. “A gente prevê um 2017 melhor que 2016, mas sem grandes expectativas. Não é uma recuperação que virá de um dia para o outro, é uma coisa muito gradual”, justifica.

Presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf segue a mesma linha de Dietze: “A recuperação da atividade econômica do Brasil será bastante lenta. Apesar dos indicadores estarem muito aquém do que gostaríamos, alguns sinais são positivos, especialmente a redução da inflação e o início da queda dos juros”.  

Taxa de juros

A taxa de juros, destacada por Skaf, é tida como elemento fundamental para a melhora econômica do País. Na visão de Dietze os juros ainda estão elevados, “o que complica a seletividade do crédito e o comprometimento da renda”. Atualmente, a taxa está em 13% ao ano e a expectativa do mercado registrada no último boletim Focus é que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (grupo que define o valor dela) reduza a taxa para 9,50% até o fim de 2017. 

Para contextualizar a importância do índice no cotidiano das pessoas, Dotto exemplifica: “A taxa de juros caindo, o que acontece: se você paga no cartão de crédito R$ 100, por exemplo, você vai passar a pagar R$ 90. Esses R$ 10 você vai gastar”, projeta. A avaliação é de que, com esse movimento, milhões de reais seriam injetados na economia e, assim, o tripé econômico consumo-produção-emprego voltaria, aos poucos, a se normalizar. 

Indústria 

O setor industrial, um dos primeiros a sentir os impactos da crise, é um dos que mais demitiram. Na soma de 2014, 2015 e 2016, somente no estado de São Paulo o setor fechou 518 mil postos de emprego. “Um desastre”, na avaliação do presidente da Federação das Indústrias. 
Medo do desemprego é empecilho,
afirma Dotto | Foto: Divulgação 

“Depois de três anos muito ruins, temos tudo para um início da recuperação da economia em 2017. Para isso é necessário reduzir significativamente os juros e estimular a volta do crédito. Essa combinação permitirá o aumento do consumo e dos investimentos, e, o principal, a retomada da geração de emprego”, defende Skaf. 

Medo do desemprego

Na opinião de Everson Dotto, o medo que o brasileiro sente de perder o emprego é um dos fatores que devem ser superados para superar a recessão econômica. Dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no último dia 6 apontam que o Índice de Medo do Desemprego voltou a subir e alcançou 64,8 pontos em dezembro, valor muito acima da média histórica de 48,4 pontos – o indicador varia de zero a cem pontos e, quanto mais alto, maior é o medo do desemprego.

Para Dotto, no momento em que as pessoas que estão trabalhando “perceberem que o fantasma do desemprego passou”, o consumo será retomado. “O aumento da produção vai gerar o aumento da contratação. São etapas”, explica. 

Varejo 
Na comparação com 2016, os índices de vendas devem registrar crescimento. Mas isso não significará, necessariamente, um bom volume de vendas. “Você tende a ter uma ligeira melhora, mas a gente está falando de um patamar muito baixo”, explica Dietze. Assim, a tendência é de que o setor permaneça estável em 2017, pois os cortes que deveriam ser feitos no setor já foram executados.
“A gente acredita que para o segundo semestre a gente tenha o início de uma retomada de crescimento e para o próximo ano ficar uma coisa mais sólida”, conclui o assessor econômico.