sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Startups do ABC são impulsionadas por investidores-anjos

Por Vitor Lima 

Fortalecer o ecossistema empreendedor do ABC baseado no conceito de startup é a missão de Benício José Filho, 40, à frente do Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul (ITESCS). Ele é presidente da entidade, desde janeiro de 2016 e termina o primeiro ano de sua gestão satisfeito com os resultados obtidos. 

As muitas reuniões, seminários e parcerias fazem parte da rotina do presidente e são fundamentais para fortalecer o ecossistema regional. Por meio delas, é que José Filho tenta articular um ambiente mais favorável a negócios e ampliar as perspectivas dos empresários. 

Um dos resultados mais expressivos dessas articulações foi a criação do núcleo regional dos Anjos do Brasil no ABC, em junho. Encabeçada pelo próprio José Filho, o núcleo busca disseminar os conceitos de investimentos anjo na região e impulsionar negócios que possuam alto potencial de crescimento. 

José Filho está à frente do núcleo Anjos do Brasil | Foto: Divulgação
O investimento-anjo incentiva as pessoas a ajudarem novos empreendedores, ao invés de buscar investimentos mais tradicionais, como em bancos, por exemplo. O investimento-anjo é feito de forma compartilhada, por várias pessoas físicas, que além do capital compartilham experiências do mundo dos negócios para aumentar as chances do empreendimento dar certo. 

Logo na primeira reunião do núcleo, em 16 de junho, a startup Filhos sem fila, de Santo André, recebeu um aporte de R$ 250 mil de empresários do ABC. “Além do capital, a startup ganhou a possibilidade de ser acelerada no Canadá. O que é interessante é que empresários da região começaram a investir dinheiro em projetos da região. E assim inicia-se um novo ciclo”, comenta o presidente. Além deste case, os primeiros meses do núcleo registra outros 30 projetos analisados (alguns foram para aceleradoras, outras para mentoria e a startup Vegpet, de São Bernardo do Campo, também recebeu investimento).

Outro ponto alto do ano do ITESCS foi o fortalecimento do diálogo com as universidades locais. Houve uma agenda repleta de palestras, seminários e painéis, que buscaram fomentar o empreendedorismo no meio acadêmico. 

José Filho nota que os acadêmicos começa a dar atenção ao empreendedorismo: “A gente que não está no cotidiano das universidades acha que elas não estão preocupadas com o empreendedorismo. Mas há uma preocupação latente em todas elas. E elas estão sendo muito provocadas por essa questão do empreendedorismo e da inovação”, aponta. 

A relação com as universidades, aliás, é uma grande preocupação de José Filho. O presidente acredita que é por elas que os jovens devem ser impactados e direcionados ao mundo do empreendedorismo, especialmente ao empreendedorismo com inovações tecnológicas.  

O fortalecimento das relações com as universidades deve gerar mais um fruto concreto no primeiro trimestre de 2017. Trata-se da parceria consolidada para a criação do Parque Tecnológico da Universidade Metodista, em São Bernardo do Campo. O presidente esclarece que existe um grupo de estudos que está trabalhando para viabilizar o projeto e que no início do ano serão convidadas fintechs (negócios inovadores com alto potencial de crescimento para serviços financeiros) e startups do setor industrial para participar do parque. 

“É importante esclarecer que o ITESCS não atua só em São Caetano. Onde existir ações de fomento ao empreendedorismo e a inovação, nós podemos participar”, ressalta. 

Ainda para 2017, um dos planos de José Filho é estreitar as relações com outras entidades que incentivam o empreendedorismo no ABC, a fim de criar uma agenda comum para todas elas escolherem resultados mais densos. “Nós queremos articular ações conjuntas”, enfatiza. Foram citadas as universidades, a Agência de Desenvolvimento Econômico Grande ABC, o Sebrae e a Rede Global de Empreendedorismo, que, na visão do presidente, podem trabalhar juntas. 

Além dos “braços” independentes, José Filho também defende o envolvimento do poder público nas questões relacionadas ao empreendedorismo e revela que o instituto tem boas relações e projetos com as secretarias de desenvolvimento econômico das prefeituras da região. 

Ao ser questionado se as mudanças de governos que ocorreram em 1° de janeiro podem prejudicar os planos da entidade, o presidente da entidade parece não se preocupar. “Nós esperamos que essa relação não mude. A gente acredita que temos caminhos abertos, até porque trabalhamos com diretrizes multipartidárias”, explica. 

Durante a conversa com o Negócios em Movimento, o empreendedor também defendeu que a região deve discutir novas perspectivas para o desenvolvimento econômico. Ele reconhece que, como o ABC é conhecido como o berço da indústria, o conceito de desenvolvimento baseado nela está enraizado há décadas e que mudar este panorama será difícil. Contudo, o presidente defende que o modelo de larga produção não se sustenta mais e que é importante buscar novos modelos, baseados em soluções tecnológicas. 

“Eu brinco e comparo as startups com uma tsunami. Alguns mercados já caíram com essa onda. As startups vêm numa velocidade muito grande e no ABC esse movimento vai ganhar muito corpo. Eu me declaro muito satisfeito com esse ano e acho que 2017 será fantástico nesse sentido”, conclui José Filho.


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