quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Varejo brasileiro: inovar para crescer

Por Marcelo Gonçalves, sócio da KPMG no Brasil 

Para vários setores da economia, entre eles, o varejo, este ano não foi fácil, porém é preciso criatividade para minar as dificuldades. Na visão de alguns especialistas, a expectativa de que o País volte a crescer em 2017 foi estremecida com a divulgação do Relatório de Mercado Focus, elaborado pelo Banco Central do Brasil, informando que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá 0,58%, valor abaixo do 0,70% projetado para o próximo ano.

O cenário de recessão com inflação e desemprego dificulta a recuperação da confiança por parte do consumidor. Este ano, o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec) atingiu 100,3 pontos em dezembro. Com isso, o indivíduo fica mais criterioso na hora de planejar os gastos que constam na lista de prioridades, e o varejo acaba sendo o mais prejudicado.

Diante desse contexto desafiador, os varejistas precisam ficar atentos a algumas questões importantes para garantir a sobrevivência e também o crescimento. Entre elas, saber tomar proveito das medidas do governo para fomentar a economia, implementar novos modelos de negócio, investir em inovações tecnológicas. Além disso, acompanhar a mudança de comportamento do consumidor e adotar  medidas de captação de clientes, como criar um ambiente que ofereça produtos de segmentos diferentes, com o intuito de atrair o consumidor para fazer diversas compras no mesmo lugar. Por exemplo, a rede de varejo norte-americana Urban Outfitters integra cafeteria, salão de cabeleireiros, venda de discos de vinil, loja de maquiagem, gadgets, dentre outros produtos. Além disso, o objetivo também é criar espaços onde as pessoas possam passar o tempo. Com isso, a empresa pretende dobrar as vendas até 2020.

Inovação, tecnologia e disruptura da forma de consumo são fatores presentes no mercado brasileiro. O consumidor está cada dia mais exigente e além de experiências buscam uma constante mudança em relação a forma de se relacionar com as marcas que consomem, precisam estar alinhados com preocupações mundiais, como sustentabilidade e dilemas sociais.

Mas para garantir tudo isso, o setor varejista precisa reter mão de obra, ou seja, manter vínculos empregatícios. Segundo a previsão da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a força de trabalho do varejo encolherá 3% este ano, o pior resultado em mais de uma década. O saldo entre admissões e demissões, no varejo, deverá ficar negativo em 230 mil vagas de trabalho. Em 2015, o total de demissões chegou próximo dos 190 mil.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), ainda existe luz no fim do túnel. Algumas companhias dos segmentos e-commerce, atacadistas e farmácias frearam a taxa de desemprego no varejo e chegaram a aumentar o número de colaboradores em mais de 40%. Esse resultado positivo se deve à expansão do comercio via internet, a busca por preços melhores em questão de quantidade e o envelhecimento da população.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o varejo emprega atualmente 19,1% dos trabalhadores formais, totalizando aproximadamente 17 milhões de brasileiros. Ou seja, é um setor muito importante para a geração de renda e de postos de trabalho, com a contratação de jovens e idosos, perfis pouco inseridos no mercado de trabalho e que representam forças importantes para a realidade dos lojistas.E para enfrentar alguns desafios e retomar o desenvolvimento, o apoio do governo é fundamental para o sucesso dessa missão.

Para concluir, acreditamos que esses temas ainda vão render muitas discussões. Mas para o varejo continuar se desenvolvendo, é preciso pensar em caminhos alternativos, sem deixar as inovações de lado e ignorar as demandas que surgem.



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